Atualmente, muitos jovens fazem parte de uma geração obcecada pelo culto à beleza e a todas as formas de perfeição que são humanamente impossíveis de se alcançar sem que hajam malefícios diretos à saúde física ou emocional. Não sei exatamente quando  que isso começou a se proliferar como um vírus, mas percebo que a cada dia novos adeptos deste modus vivendi se aventuram em mares desconhecidos, pondo muitas vezes as suas próprias vidas em risco.

Já não bastasse a vida não ser um conto de fadas, coisa que às vezes descobrimos tardiamente,  ainda temos que conviver num mundo cheio de comparações, competições e clones sem personalidade alguma. De certa forma, me parece que tudo vira tendência, inclusive no modo de ser.

Eu realmente gostaria de saber quem iniciou esse movimento que intitulo de “Geração da Boa Aparência”. Fisicamente nunca estivemos tão bem, pois a medicina evoluiu e nos favoreceu em muitos aspectos; diga-se de passagem que o nosso país em termos de alimentação saudável ganha disparado de outros que consomem açúcar como se fosse água.

Mas a grande questão é que cuidamos da saúde e da aparência física muito mais que de nossa saúde emocional. Ademais, não seria exagero dizer que nos tornamos seres perfeccionistas em vários aspectos, pois nos punimos e nos criticamos em demasia ao invés de trabalharmos a aceitação. 

Uma geração carente de atenção, que faz de tudo para conquistá-la, e que quando se olha no espelho enxerga apenas uma auto-imagem artificial e destorcida do seu verdadeiro eu.  De fato, infelizmente o espelho não reflete o interior da pessoa e se isso fosse possível as nossas relações interpessoais seriam facilitadas e o número de gente mesquinha reduziria significativamente, pelo simples fato da exposição.

O caráter de uma pessoa pode ser distorcido por alguns instantes devido a sua má aparência. Assim como a boa aparência pode facilmente ser desmascarada pela falta de conteúdo do indivíduo. Me pergunto constantemente se estamos criando bonecas e robôs, que sempre fazem e falam a mesma coisa? Onde foi parar a opinião e a personalidade de cada um?

Para nos encaixarmos na sociedade atual precisamos esquecer quem nós realmente somos? Precisamos fingir ser alguém diferente?

Com a devida vênia, quem vive assim está equivocado e precisando acordar para a realidade, porque não existe controle absoluto sobre nada ao que tange a vida. Somos oriundos de uma “forma” única e insubstituível, que se diferencia de qualquer maneira. Então qual seria a razão para nos padronizarmos e rotularmos?  Que necessidade é essa, meu Deus?

No entanto, a busca de glúteos maiores, o combate total da gordura localizada e da celulite ainda é mais interessante do que a descoberta de que esse artificialismo todo não nos torna pessoas felizes e bem sucedidas.

Defendo a ideia que o amor próprio e a auto-estima são fatores chaves para a conquista do bem estar pessoal, porém o excesso disso tudo é prejudicial. Existem pessoas que vivem uma vida inteira apenas em busca dessa imagem perfeita e feliz,  a qual todos sabem que não existe, mas que ainda fingem acreditar.  Pra mim, isso não passa de uma mentira contada a si mesmo, todos os dias.

A partir do momento que somos plateia dessa enganação toda, contribuímos para a proliferação da concorrência. Sim! Somos nós que a criamos…Aceitamos tacitamente esse padrão de conduta e quando vimos, ele já foi consolidado.

Talvez, um dos maiores desafios dessa geração seja o encontro do equilíbrio perfeito entre mente e corpo-humano. Mas por vezes, esquecemos que o nosso corpo é humano e nos exige certas limitações e cuidados.

Portanto, não é o quanto malhamos as coxas, o abdômen e o bumbum que vai nos diferenciar na hora de mostramos quais são os nossos verdadeiros valores para as pessoas que julgamos importantes.

Admitir a singularidade e a beleza de cada um é o primeiro passo para vivermos em um mundo mais justo com as pessoas. A vaidade e amor próprio só afetam negativamente quem exerce essas faculdades por pura carência e falta de atenção.